A Spy Eyewear - única empresa genuinamente brasileira que desenvolve e fabrica óculos de sol para a prática de esportes radicais no Brasil - contratou a Domus Industrial Design, em 1999, para desenhar um novo modelo, que trouxesse uma nova referência de produto para esse segmento de mercado.
Durante 12 meses, desenvolvemos o projeto a partir de muita pesquisa de campo (paraquedistas, surfistas, snowboarders, motoboys etc) e uma boa quantidade de reuniões produtivas para balizar todo o desenvolvimento.
O produto é sempre utilizado em situações extremas e em condições críticas de uso. Para inovar nesse segmento, seria necessário pensar de forma diferente, desenvolver um novo olhar sobre o produto. Caso contrário, ele seria somente mais uma variável estética no mercado.
Associando nossa concepção de design à experiência do cliente, concluímos que não seria adequado entendermos o novo modelo apenas como uns óculos de sol, mas um artigo esportivo de alta performance.
Em virtude da alta velocidade que os atletas atingem (mais de 350 km/h), das desacelerações bruscas (frenagem ou abertura de um paraquedas) e dos impactos constantes (acidentes), fizemos um estudo profundo sobre os fenômenos físicos e suas consequências práticas no corpo humano.
A mesma distância, que afasta as lentes dos cílios, pode provocar frestas de luz e ar entre o rosto e a armação dos óculos. Isso acarreta ofuscamento dos olhos e ressecamento de retina, respectivamente, o que pode provocar acidentes sérios na prática de esportes de velocidade.
Para garantir uma excelente fixação do modelo à caixa craniana, um estudo foi realizado junto a médicos neurologistas e oftalmologistas para identificação dos pontos de menor concentração nevrálgica e redução de prismagem da imagem, causada pela curvatura das lentes utilizadas na época, reduzindo consideravelmente a sensação de mal-estar ou perda de foco, muito comum em modelos concorrentes de baixa qualidade.
Para Ronaldo Blumenthal, diretor da Spy Eyewear, o modelo, lançado no ano de 2000, é um sucesso de vendas e chegou a corresponder a mais de 60% do volume de vendas da marca. Segundo sua opinião: “Não existia no Brasil profissionais com a formação específica em óculos de sol, então decidimos apostar na Domus pelo seu histórico de desafios e postura inovadora. O resultado é uma parceria que já dura 8 anos e que se fortalece a cada dia”.
Produzido até hoje, o modelo 36 recebeu o prêmio Opus Design Award, em 2002, no Japão. Ele foi o primeiro de uma nova linha de óculos de sol esportivo, totalmente desenvolvida no Brasil, e já recebeu três selos Design Excellence Brazil e mais outros dois Opus Design Award no Japão.
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